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ABNT NBR 16620 eletroposto requisitos instalação

ABNT NBR 16620: requisitos para instalação de eletroposto

Gauss Mob · 29 de maio de 2026

A instalação de um eletroposto no Brasil envolve mais do que comprar um carregador e ligar na tomada. Sem o cumprimento da ABNT NBR 16620, o projeto pode ser reprovado pela concessionária, gerar riscos elétricos ou simplesmente não funcionar com a potência contratada. A norma técnica que regulamenta a infraestrutura de recarga de veículos elétricos no país é relativamente recente, mas já pegou muitos instaladores e gestores de surpresa. Em 2023, a ANEEL registrou mais de 94 mil novos veículos elétricos leves no Brasil — e cada um deles precisa de um ponto de recarga seguro e dentro da lei. Neste guia, você vai entender o que a NBR 16620 exige na prática, quais componentes são obrigatórios, como dimensionar a proteção elétrica e o que fazer para evitar multas ou retrabalho na instalação do seu eletroposto. ## O que é a ABNT NBR 16620 e por que ela existe A ABNT NBR 16620 é a norma brasileira que estabelece os requisitos mínimos para instalações elétricas de baixa tensão destinadas à recarga de veículos elétricos. Ela cobre desde o ponto de conexão com a rede até o conector do veículo. A norma foi publicada em 2018 e atualizada em 2021, com base na IEC 61851, padrão internacional para sistemas de recarga condutiva. O objetivo principal é garantir segurança contra choques elétricos, sobrecargas e incêndios, além de assegurar a interoperabilidade entre carregadores e veículos. Na prática, a NBR 16620 define: - Os tipos de recarga (modos 1, 2, 3 e 4) - As proteções elétricas obrigatórias - Os requisitos de aterramento - A sinalização e identificação dos equipamentos - As distâncias mínimas e condições de instalação Para gestores de facilities e engenheiros responsáveis por projetos de recarga, ignorar a norma significa risco de acidente e de não conformidade com a concessionária local. ## Requisitos elétricos obrigatórios segundo a NBR 16620 A norma exige que toda instalação de recarga EV tenha, no mínimo, os seguintes dispositivos de proteção: - **Disjuntor termomagnético** para proteção contra sobrecorrente - **Dispositivo diferencial residual (DR)** com corrente de fuga máxima de 30 mA para proteção contra choques - **Proteção contra sobretensão transitória (DPS)** — especialmente importante em regiões com descargas atmosféricas frequentes, como Minas Gerais - **Sistema de aterramento** com resistência inferior a 10 ohms, conforme a NBR 5410 Além disso, a NBR 16620 determina que o carregador deve ser alimentado por um circuito exclusivo. Nada de compartilhar o mesmo disjuntor com iluminação ou tomadas de uso geral. Cada estação de recarga precisa de seu próprio ramal, dimensionado para a corrente nominal do equipamento acrescida de 25% de folga. Em instalações que acompanhamos na Gauss Mob, o erro mais comum é subdimensionar o cabo de alimentação. Um carregador de 22 kW trifásico exige cabo de seção mínima de 6 mm² em cobre, dependendo da distância. Usar cabo de 4 mm² gera queda de tensão, aquecimento e desarme do disjuntor. ## Modos de recarga: qual escolher para seu eletroposto A NBR 16620 classifica a recarga em quatro modos, cada um com requisitos específicos: **Modo 1:** Conexão direta do veículo a uma tomada comum, sem comunicação ou proteção dedicada. Proibido no Brasil desde 2021 para novas instalações. **Modo 2:** Cabo com dispositivo de controle e proteção no próprio plug (IC-CPD). Usado em carregadores portáteis para tomadas residenciais. Aceito, mas com restrições de potência (máximo 16 A). **Modo 3:** Carregador fixo com comunicação entre o equipamento e o veículo. É o padrão para [eletropostos DC Fast](/evc) e wallboxes comerciais. Exige circuito dedicado e proteções conforme a norma. **Modo 4:** Recarga em corrente contínua (DC), com retificador externo ao veículo. Usado em carregadores rápidos de 50 kW ou mais. Requer infraestrutura elétrica robusta e, em muitos casos, transformador dedicado. Para aplicações comerciais e frotas, o Modo 3 é o mais indicado. Ele permite controle de carga, agendamento e integração com sistemas de gestão de energia. Já o Modo 4 é recomendado para postos de recarga pública e corredores rodoviários. ## Dimensionamento da infraestrutura elétrica O dimensionamento correto começa com a definição da potência do carregador. Um wallbox de 7,4 kW (32 A monofásico) consome o equivalente a um chuveiro elétrico ligado. Já um carregador de 22 kW (32 A trifásico) exige uma carga considerável no quadro de distribuição. A NBR 16620 determina que a demanda total do circuito de recarga deve ser calculada considerando o fator de simultaneidade. Se você tem 10 carregadores de 22 kW, mas apenas 5 serão usados ao mesmo tempo, a demanda de projeto pode ser reduzida. Passos práticos para o dimensionamento: 1. Levante a potência nominal de cada carregador 2. Aplique o fator de simultaneidade (tabela da norma) 3. Calcule a corrente de projeto 4. Escolha a seção do cabo conforme a tabela 47 da NBR 5410 5. Dimensione o disjuntor e o DR para a corrente calculada 6. Verifique a queda de tensão (máximo 4% da tensão nominal) Um erro frequente é ignorar a queda de tensão em circuitos longos. Em um galpão industrial com 80 metros de distância entre o quadro e o carregador, a seção do cabo pode precisar subir para 10 mm² ou 16 mm², mesmo para um carregador de 7,4 kW. ## Aterramento e proteção contra choques A NBR 16620 é rigorosa quanto ao aterramento. O sistema deve ser do tipo TN-S (neutro e terra separados) ou TN-C-S (neutro e terra combinados apenas até o quadro geral). O condutor de proteção (PE) não pode ser interrompido por nenhum dispositivo de manobra. A resistência de aterramento deve ser inferior a 10 ohms. Em solos de alta resistividade, como os comuns em regiões de cerrado ou montanha, pode ser necessário usar hastes múltiplas ou tratamentos químicos. Além disso, a norma exige que o carregador tenha detecção de corrente contínua (DC) residual. Isso porque alguns carregadores Modo 3 podem gerar componentes DC que cegam os DRs convencionais, anulando a proteção contra choques. Por isso, muitos equipamentos já vêm com DR tipo B ou tipo A + DC integrado. Na Gauss Mob, sempre especificamos DR tipo B para instalações comerciais com múltiplos carregadores. O custo adicional é pequeno comparado ao risco de um acidente elétrico. ## Sinalização e identificação dos equipamentos A norma também define requisitos de sinalização. Cada ponto de recarga deve ter: - Placa de identificação com tensão, corrente e potência nominais - Símbolo de risco elétrico (triângulo amarelo com raio) - Instruções de uso em português - Indicação do número do circuito no quadro de distribuição Para eletropostos em áreas externas, a proteção contra intempéries deve ser no mínimo IP54 (proteção contra poeira e respingos). Em áreas internas, IP44 é suficiente. A falta de sinalização adequada é uma das não conformidades mais comuns em vistorias de concessionárias. Já vimos projetos aprovados na engenharia, mas reprovados na inspeção final por causa de uma placa de identificação faltando. ## Como integrar o eletroposto com sistemas de armazenamento e geração solar A NBR 16620 não trata diretamente da integração com [BESS industrial](/bess) ou [energia solar](/solar), mas a instalação elétrica deve prever a conexão com esses sistemas. Na prática, o carregador pode ser alimentado por um circuito que também recebe energia de painéis fotovoltaicos ou baterias estacionárias. O desafio é garantir que a proteção diferencial e o seccionamento sejam adequados para múltiplas fontes. Quando há [geração fotovoltaica](/solar) no mesmo quadro, o DR deve ser dimensionado para correntes de fuga que podem vir de ambas as direções. Além disso, a norma exige que o carregador tenha um dispositivo de seccionamento visível e acessível. Isso significa uma chave seccionadora ou disjuntor com capacidade de interrupção visível, localizado a até 3 metros do carregador. Para frotas que querem reduzir o custo operacional, a combinação de [painéis solares](/solar) com carregadores inteligentes e baterias de armazenamento é o caminho mais eficiente. O excedente solar durante o dia carrega as baterias, que alimentam os carregadores à noite, evitando a tarifa de ponta. ## Principais erros na instalação de eletropostos Com base em dezenas de projetos que acompanhamos, os erros mais comuns são: 1. **Usar tomada comum (Modo 1)** em vez de carregador dedicado — além de proibido, sobrecarrega o circuito 2. **Ignorar o fator de simultaneidade** — superdimensiona a infraestrutura e encarece o projeto sem necessidade 3. **Não instalar DPS** — em regiões com raios, queima o carregador na primeira tempestade 4. **Aterramento mal feito** — resistência acima de 10 ohms, DR não atua, risco de choque fatal 5. **Cabo subdimensionado** — queda de tensão, aquecimento, desarme do disjuntor 6. **Falta de documentação técnica** — sem ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do engenheiro, a concessionária não aprova Cada um desses erros gera retrabalho, custo adicional e atraso na operação. Em um projeto de frota com 20 carregadores, refazer o aterramento pode custar mais de R$ 15 mil. ## Passo a passo para adequar sua instalação à NBR 16620 Se você está planejando instalar um eletroposto, siga este roteiro: 1. **Contrate um engenheiro eletricista** com experiência em recarga EV. A ART é obrigatória. 2. **Solicite o ponto de conexão à concessionária** com a demanda calculada. 3. **Escolha o carregador** conforme o modo de recarga e a potência necessária. 4. **Dimensione a infraestrutura** (cabos, disjuntores, DR, DPS, aterramento). 5. **Instale o carregador** em local protegido, com sinalização adequada. 6. **Teste todos os dispositivos de proteção** antes de ligar o veículo. 7. **Emita a documentação** (ART, diagrama unifilar, memorial descritivo). A concessionária pode levar de 15 a 60 dias para aprovar o ponto de conexão, dependendo da complexidade. Por isso, o planejamento precisa começar com antecedência. ## Conclusão A ABNT NBR 16620 não é um obstáculo burocrático — é a garantia de que sua instalação de recarga EV será segura, eficiente e dentro da lei. Ignorá-la pode custar caro em multas, retrabalho e, pior, acidentes. A Gauss Mob projeta, instala e mantém infraestrutura de recarga para veículos elétricos em Belo Horizonte e região, sempre em conformidade com a NBR 16620 e demais normas técnicas. Se você precisa de um eletroposto para sua empresa, condomínio ou frota, fale diretamente com nossos engenheiros — é gratuito, sem compromisso, e você sai com um panorama real de viabilidade e investimento. [Fale com a equipe técnica agora](https://wa.me/5511936208350?text=Olá%2C%20vi%20o%20artigo%20sobre%20ABNT%20NBR%2016620%20e%20gostaria%20de%20uma%20avaliação%20para%20meu%20projeto%20de%20eletroposto)

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